24 de agosto, de 2023 | 13:46

Médica indiciada por homicídio culposo após morte de bebê em Muriaé

Foto: Redes Sociais
Médica indiciada por homicídio culposo após morte de bebê em MuriaéMédica indiciada por homicídio culposo após morte de bebê em Muriaé


Um doloroso episódio trouxe à tona questões delicadas de negligência médica e tragédia familiar em Muriaé, Minas Gerais. A Polícia Civil do estado (PCMG) anunciou, na terça-feira (22), que indiciou uma médica por homicídio culposo em relação à morte de um bebê.

A narrativa trágica desenrola-se com uma grávida de gêmeos que procurou a unidade de saúde local, em meio a um quadro de pré-eclâmpsia, uma complicação médica séria durante a gravidez. A médica em questão, agora acusada pela Polícia Civil, tratou a paciente durante esse atendimento, mas tomou a decisão de liberá-la em seguida.

A gravidade da situação tornou-se inegável no dia seguinte, quando a mulher entrou em coma. A urgência levou à necessidade de uma cirurgia para retirada dos bebês. Tragicamente, um dos bebês já havia falecido dentro do útero da mãe, enquanto o outro veio ao mundo com vida, mas sucumbiu em questão de horas.

A resposta a esse infortúnio foi a instauração de um inquérito pela Polícia Civil. O delegado encarregado do caso, Glaydson de Souza Ferreira, revelou que a médica teria negligenciado as regras técnicas da profissão.

"A perícia técnica da PCMG constatou que a vítima já se encontrava em quadro de pré-eclâmpsia por ocasião do primeiro atendimento, sendo inobservado pela investigada as regras do Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde", declarou Ferreira.

De acordo com o delegado, o quadro de pré-eclâmpsia teria sido o fator desencadeante da morte do bebê que nasceu com vida. "É importante mencionar que a causa da morte da criança que nasceu com vida foi justamente a eclâmpsia materna, o que atrai a imputação do resultado morte à conduta omissiva da médica", explicou.

No que diz respeito ao outro bebê, o delegado explicou que não há base para imputar um crime, já que não se pode determinar precisamente o momento da morte. "Só poderíamos trabalhar juridicamente com a hipótese de aborto, sendo a conduta da médica culposa e a falta da tipificação legal do crime de aborto culposo, a conduta em relação a este feto é atípica, ou seja, não punida pelo direito penal", concluiu o delegado.

Agora, com a conclusão da investigação, o caso será encaminhado à Justiça de Minas, deixando uma comunidade consternada e uma família enlutada em busca de respostas e justiça para a perda trágica que enfrentaram.
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